Uma História de Amor
Encontram-se sepultados no Cemitério de Ramalde, Manuel Claro e Maria Adelaide Coelho da Cunha, protagonistas de uma história de amor que chocou a sociedade da época.
“Maria Adelaide Coelho da Cunha, filha e herdeira de Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícia, e mulher do administrador do mesmo jornal, Alfredo da Cunha, saiu de sua casa, o palácio de São Vicente, à Graça, para nunca mais voltar, pretendido começar uma nova vida junto de Manuel Claro, um homem com quase metade da sua idade e que até há um ano atrás fora motorista da família.
Maria Adelaide, de quarenta e oito anos, fugira para trocar um palácio em Lisboa por um primeiro andar alugado, modestíssimo, em Santa Comba Dão; um homem de cultura e de sociedade, seu marido e pai do seu único filho, por um “serviçal”, seu antigo “chauffeur” que se dizia negociante de várias coisas; uma requintada posição no topo da pirâmide social da época, por uma aldeia onde só convive com gente ordinária; sedas, tafetás, cetins, brocados, rendas e veludos, peles e joias, por roupas muito pobres.
Num país em que as leis autorizavam o divórcio, por que razão ele tinha sido sempre negado a Maria Adelaide Coelho da Cunha, preferindo-se em vez disso a solução do hospício? Recusara-lho o marido. E os parentes mais próximos, porque respeitam as convenções sociais.
Manuel Claro saiu da prisão a 28 de Janeiro de 1922, com uma fiança de oito contos, e a um mês de completar quatro anos de cadeia. Tinha à sua espera Maria Adelaide. Os dois foram, naturalmente, viver juntos”.
MANUELA GONZAGA – “Doida não e não!” Maria Adelaide Coelho da Cunha - Bertrand Editora
Maria Adelaide morreu em 1954 e Manuel Claro em 1967, encontram-se ambos sepultados em Ramalde.


